6 de agosto de 2017

Falsa grávida tenta tomar criança à força da família

 A atendente de supermercado Emily Maganha mudou sua rotina temendo pela integridade de sua filha Laura, de 1 ano. Laura foi o nome usado por Pâmela Serveli, de 24 anos, em uma gravidez inventada para chantagear o ex-namorado Vitor Sedassare em Ribeirão Preto (SP).

Responsável por ajudar a polícia a desfazer a mentira no dia em que a suposta mãe promoveu uma festa de 1 ano para a filha que não existia, Emily conta que, na mesma data, em 11 de julho, Pâmela mandou três conhecidos até a casa dela para tentar tomar sua criança à força. Ela também relata que a mãe da falsa grávida encampou a história e chegou a cogitar um exame de DNA.

“Muito louca, se eu conto ninguém acredita, não dá pra acreditar. Parece filme, mentira, que ela queria pegar minha filha mesmo. Acho que ela acreditava que a Laura era filha dela, pra mim é isso: ela acreditava e ela queria levar à festa”, diz.

Segundo o advogado de defesa de Pâmela, a família da suspeita diz que a jovem está em tratamento psiquiátrico desde janeiro deste ano.

Pâmela Serveli segura Laura, filha de outro casal em Ribeirão Preto, SP (Foto: Arquivo pessoal)Pâmela Serveli segura Laura, filha de outro casal em Ribeirão Preto, SP (Foto: Arquivo pessoal)

Pâmela Serveli segura Laura, filha de outro casal em Ribeirão Preto, SP (Foto: Arquivo pessoal)

Do primeiro contato às ameaças

Emily relata que conheceu Pâmela por intermédio de uma amiga em comum e que, desde então, mantinham contato apenas pelas redes sociais. Foi pela internet que ela disse ter acompanhado a suposta gravidez de Pâmela por publicações de fotos. A atendente conta que a própria Pâmela pediu, certo dia, para visitá-la e conhecer Laura.

De acordo com Emily, Pâmela aproveitou a ocasião para tirar uma foto com a menina no colo, pedido que, segundo ela, foi atendido. A imagem, mais tarde, teria sido usada pela falsa grávida para corroborar a história nas redes sociais.

Emily Maganha e Guilherme Biagini, pais legítimos de Laura, criança usada por mulher que inventou gravidez para chantagear o ex-namorado em Ribeirão Preto (Foto: Carlos Trinca/EPTV)Emily Maganha e Guilherme Biagini, pais legítimos de Laura, criança usada por mulher que inventou gravidez para chantagear o ex-namorado em Ribeirão Preto (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

Emily Maganha e Guilherme Biagini, pais legítimos de Laura, criança usada por mulher que inventou gravidez para chantagear o ex-namorado em Ribeirão Preto (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

“Ela me contou que a filha dela estava doente no hospital, eu fiquei com dó. Ela falou: eu posso ver sua filha? Eu falei: pode. Ela foi lá em casa. A única vez que ela foi lá em casa foi esse dia pra ver minha filha”, conta.

Emily afirma que somente desconfiou das reais intenções de Pâmela quando três homens visitaram sua casa para levar Laura. Foi o marido da atendente, Guilherme Biagini, quem disse ter falado com o trio.

Segundo ele, os visitantes desconhecidos disseram que Pâmela havia lhes dito ser a verdadeira mãe de Laura e que o casal não queria devolver a menina. Diante da recusa dele em entregar a criança, os três homens teriam ameaçado voltar ao local posteriormente.

“Contaram uma história que a Pâmela contou pra eles, que deixou a filha dela para nós criarmos e que a gente não estava querendo devolver ela e eles foram buscar minha filha. Questionei: eu tenho como provar que ela é minha filha. E eles não acreditaram, falaram que queriam levar de qualquer jeito e que iam voltar depois pra resolver o assunto”, afirma.

                                  Pedido de DNA

Emily, que estava no trabalho quando isso aconteceu, conta que, assim que soube do ocorrido por uma ligação do marido, ligou para uma amiga mais próxima de Pâmela e chamou a polícia.

“Cheguei em casa, a polícia chegou em seguida, os três caras não estavam. Essa minha amiga chegou e entrou em contato com o irmão da Pâmela. O irmão da Pâmela foi lá na minha casa, conversou com o policial e falou: nunca teve criança na minha casa, eu nunca vi”, afirma.

Por meio do irmão de Pâmela, segundo ela, Emily soube da festa de R$ 3 mil que a falsa grávida havia preparado para comemorar um ano de Laura. Ao se dirigir ao bufê onde acontecia a festa, ela conta que começou uma discussão com a suspeita e a mãe dela, que teria solicitado um exame de DNA na menina.

Confusão presenciada pelos convidados. “A mãe dela falou, tinha certeza que era filha da Pamela, e queria fazer um teste de DNA.”

Emily também afirma que a família do ex-namorado de Pâmela chegou a ir à festa para confirmar as suspeitas sobre a falsa gravidez. “A Pâmela e a mãe dela foram para dentro do salão, aí foi quando a gente conversou com a família do suposto pai. A gente conversou e ele contou que ela o enganou durante um ano, que eles tinham uma criança, que eles foram à festa para ver se tinha criança mesmo.”

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