1 de maio de 2018

ONU diz que ataque a jornalistas no Afeganistão destaca risco enfrentados por profissionais; confira repercussão

A comunidade internacional destacou o ataque deliberado a profissionais da imprensa no Afeganistão. Nesta segunda-feira (30), dez jornalistas morreram após serem visados em um ataque em Cabul e onze crianças foram mortas no sul do país. O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, repercutiu os ataques à mídia e disse que “os responsáveis por estes crimes devem ser levados imediatamente à Justiça”, informa a agência France Presse.

“A seleção deliberada de jornalistas no ataque destaca, mais uma vez, os riscos enfrentados pelos profissionais de mídia”, declarou o líder da ONU.

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) indicou que este foi o mais mortífero ataque à imprensa desde a queda do Talibã em 2001. Entre as vítimas, havia jornalistas da Rádio Free Europe, da televisão afegã Tolo News, da emissora britânica BBC, da agência France Presse e da 1TV.

A ONU deve enviar “um sinal forte para a comunidade internacional e atores locais nomeando um representante especial para a proteção de jornalistas”, declarou o secretário-geral da Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire, cuja organização registrou 34 mortes de jornalistas no Afeganistão desde 2016, à France Presse.

Ataques no Afeganistão matam 35, entre eles, 10 jornalistas e 11 crianças

Ataques no Afeganistão matam 35, entre eles, 10 jornalistas e 11 crianças

A BBC confirmou que seu repórter Ahmad Shah, de 29 anos, que trabalhou para a emissora por um ano, foi morto a tiros por pistoleiros não identificados em Jost e que a polícia estava investigando o caso.

A France Presse informou que Shah Marai, que trabalhava para a AFP na capital afegã desde 1996, também foi morto em um dos ataques. Marai deixa esposa e seis filhos, incluindo a mais nova de apenas duas semanas.

“Essa tragédia nos lembra do perigo incessante que nossas equipes enfrentam no terreno e do papel fundamental dos jornalistas na democracia”, reagiu Fabrice Fries, CEO da AFP.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, também condenou ataques “bárbaros e sem sentido”, diz a France Presse.

“O panorama dinâmico da imprensa que se desenvolveu no Afeganistão continuará, em grande parte graças aos jornalistas e profissionais que morreram”, disse ele.

Ataques no Afeganistão deixa jornalistas e policias mortos (Foto: Juliane Souza/G1)

Ataques no Afeganistão deixa jornalistas e policias mortos (Foto: Juliane Souza/G1)

Ataques foram reinvindicados pelo Estado Islâmico

A capital afegã foi abalada na segunda-feira por um duplo ataque suicida reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), que deixou pelo menos 25 mortos, incluindo nove jornalistas. Entre eles, o chefe do serviço fotográfico da AFP em Cabul, Shah Marai, de 41 anos.

O primeiro ataque em Cabul foi dirigido contra a sede dos serviços de inteligência afegãos (NDS). No segundo, um suicida que carregava uma câmera se explodiu em meio aos jornalistas que haviam chegado para cobrir o ataque, segundo a polícia.

O primeiro ataque em Cabul foi dirigido contra a sede dos serviços de inteligência afegãos (NDS). No segundo, um suicida que carregava uma câmera se explodiu em meio aos jornalistas que haviam chegado para cobrir o ataque, segundo a polícia.

No terceiro ataque, onze crianças foram mortas e 16 pessoas ficaram feridas, incluindo soldados romenos e afegãos, quando outro homem-bomba explodiu seu carro contra um comboio da Otan na província de Kandahar, no sul do país.

Os ataques aconteceram poucos dias depois que o Talibã anunciou o início de sua ofensiva de primavera, rejeitando uma oferta de negociações de paz do presidente afegão, Ashraf Ghani.

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